sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Manifestantes liberam a Rua Voluntários da Pátria, em Porto Alegre



Grupo exigia colocação de quebra-molas onde criança foi atropelada na terça-feira


Manifestantes liberam a Rua Voluntários da Pátria, em Porto Alegre Carlos Macedo/Especial
Voluntários começou a ser liberada por volta das 18hFoto: Carlos Macedo / Especial

Um grupo de manifestantes bloqueou três quadras da Rua Voluntários da Pátria na tarde desta sexta-feira. Um grupo de cerca de 100 moradores do Loteamento Santa Terezinha, no Bairro Floresta, pedem a colocação de um quebra-molas no local onde faleceu Gustavo da Rosa, seis anos. A criança foi atropelada por um ônibus na terça-feira, quando andava de bicicleta.
A partir das 17h, a via ficou fechada no trecho da Avenida Paraíba até a Rua Ramiro Barcelos. A Brigada Militar esteve no local e houve enfrentamento com as pessoas. Quem tentou furar o bloqueio teve o veículo agredido a socos e pontapés. A partir das 18h, a Rua Voluntários da Pátria começou a ser liberada.
– A gente não quer briga, queremos uma solução pacífica. Não mobilizamos toda a vila para nada – observa o carpinteiro Daniel dos Santos, 34 anos, pai de criação de Gustavo.
Reunião na segunda-feira
Para liberar o trânsito, a EPTC entrou em contato com o grupo e prometeu uma reunião na segunda-feira, às 14h. Seis pessoas serão recebidas para resolver a situação.
– Vamos acreditar neles e vamos cobrar o que foi prometido – completou Daniel.
A lembrança de Gustavo etsava presente no protesto. Velas foram colocadas onde a criança foi atropelada e foi feita uma reza.

Temporal atinge São Paulo



Chuva que atingiu São Paulo na tarde desta sexta-feira (10) colocou a capital paulista em estado de atenção.


Greve da polícia no Rio de Janeiro e na Bahia ameaça Carnaval



A greve parcial de policiais e bombeiros do Rio de Janeiro decretada nesta sexta-feira soma-se à de seus companheiros da Bahia e ameaça o Carnaval, mas as autoridades garantem que, se for necessário, o Exército patrulhará as duas cidades, onde 850.000 turistas são esperados.
Centenas de policiais civis, policiais militares (PM) e bombeiros do Rio votaram a favor da greve levantando as mãos na noite de quinta-feira, em uma assembleia pública realizada na Cinelândia a uma semana do início do Carnaval, uma das maiores festas do mundo.
Apesar disso, a situação nas ruas do Rio era de normalidade nesta sexta-feira, e tanto a polícia como os bombeiros não foram afetados de forma significativa pela greve, segundo os comandos das duas corporações.
Um total de 17 policiais do Rio de Janeiro foram presos na sexta-feira pela greve convocada com os bombeiros, informou à AFP a Polícia Militar (PM), corrigindo a cifra anterior de 59 detidos informada mais cedo por uma autoridade da instituição.
Dez dos 11 oficiais que tinham mandado de prisão emitido pela Justiça foram presos e levados a uma prisão de segurança máxima na cidade, disse a Secretaria de Segurança do Rio.
Além disso, outros sete policiais foram presos em seus próprios batalhões por "desobediência". Outros 14 policiais serão alvo de processos administrativos, completou a secretaria.
Por outro lado, 123 salva-vidas foram acusados de faltar ao serviço nas praias e serão submetidos a "prisão administrativa", informou o Corpo de Bombeiros do Rio. Quinze dos líderes da greve estão sendo investigados e podem ser expulsos da corporação.
Os policiais militares e bombeiros não têm direito de se sindicalizar - são representados por associações - nem de fazer greve no Brasil.
"Haverá uma resposta dura (...) para os policiais que cruzarem os braços. É inaceitável que rompamos o juramento que fizemos de proteger a sociedade", disse Frederico Caldas, porta-voz da PM.
Caldas declarou que em algumas unidades os policiais não quiseram dirigir-se a situações de emergência e foram enviados oficiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope).
Em um episódio isolado, um carro policial foi atacado a tiros por um grupo de homens que viajavam em 15 motocicletas na zona norte do Rio, sem que fossem registrados feridos, disse.
O comando da PM informou em um comunicado que "todas suas unidades estão em pleno funcionamento" e que "não há paralização de nenhum tipo de serviço para o cidadão".
Caso a greve se estenda, as autoridades preveem a chegada ao Rio de 14 mil soldados e agentes da Força Nacional de Segurança para garantir a tranquilidade do Carnaval, que começa no dia 17 de fevereiro.
O Corpo de Bombeiros do Rio também indicou que está funcionando normalmente.
"Neste ano, pela primeira vez na história do Brasil, talvez sejamos privados do Carnaval, aqui em nossa cidade, este Carnaval que é conhecido no mundo inteiro, e que é uma marca para nossa cidade", havia advertido o bombeiro Reginaldo Adin à AFP na madrugada desta sexta-feira, após participar da assembleia que votou a greve.
A partir de sexta-feira "não haverá polícia civil, (nem) polícia militar nas ruas, estaremos todos aquartelados, e sairemos apenas para eventos que envolvam risco de vida", indicou o bombeiro Laércio Soares.
"População: estamos com vocês. Fiquem tranquilos. Apenas pedimos que não saiam às ruas, não levem seus filhos à escola, e o comércio não deve abrir neste momento. É muito importante resguardar a vida", havia afirmado o policial militar Thiago Rodrigues dos Reis.
Os salários da polícia do Rio estão entre os mais baixos do país, e rondam os 1.200 reais iniciais.
Os grevistas estão insatisfeitos com o aumento progressivo de 39% dos salários aprovado na quinta-feira à tarde na Assembleia Legislativa, e exigem um piso salarial de 3.500 reais, além de 700 reais em vales transporte e alimentação.
Os policiais e bombeiros do Rio também protestam contra a prisão na quinta-feira de um líder sindical dos bombeiros, Benevenuto Daciolo, acusado pela justiça de promover um motim e ameaçar o Carnaval.
O protesto no Rio se soma ao iniciado há dez dias pela Polícia Militar da Bahia, que provocou uma onda de violência com um registro de mais de 120 mortos, mais do que o dobro da média normal, sobretudo na capital do estado, Salvador.
O número de mortes violentas caiu na Bahia após a chegada de 3.500 soldados e policiais de elite que garantem a segurança do estado.
Mais de 200 policiais militares amotinados na Assembleia Legislativa da Bahia desocuparam o edifício pacificamente na quinta-feira e quatro dos 12 líderes grevistas foram presos, mas o protesto continua.

Governador Tarso, Reafirma o compromisso com a valorização salarial dos policias. fala em aumentos reais e permanentes para os servidores.


arso dá pontapé inicial na 11ª Copa Abamf, em Cidreira
Foto destaque

O governador Tarso Genro participou, na manhã desta sexta-feira (10), da abertura da 11ª Copa Abamf, torneio que mobiliza centenas de policiais militares durante todo o fim de semana, em competições de futebol de areia, vôlei de praia, bocha e canastra. A competição ocorre na colônia de férias Farroupilha, em Cidreira, administrada pela Associação Beneficente Antônio Mendes Filho da Brigada Militar (Abamf). Após percorrer o acampamento dos atletas e as instalações da colônia, o governador posou para fotos, deu o pontapé inicial do campeonato e discursou para os policiais.

Reafirmando o compromisso do Governo com a valorização salarial dos servidores da Brigada Militar, Tarso explicou a estratégia financeira e orçamentária desenvolvida pelo Estado e que permitirá, nos quatro anos de gestão, investir em obras de infraestrutura, prestar serviços com qualidade e adotar uma política de evolução salarial com aumentos reais e permanentes aos servidores.

De acordo com o governador, esta estratégia está baseada em quatro pilares: aumento da arrecadação em R$ 700 milhões a partir da modernização da fiscalização fazendária; apresentação de cartas-consulta para instituições financeiras que garantiram recursos na ordem de R$ 2,6 bilhões para investimentos; renegociação da dívida da União com o Estado, que rendeu R$ 2,3 bilhões para a CEEE; e a conquista junto ao Governo Federal de um novo espaço de endividamento a longo prazo que permite contratar mais R$ 1,1 bilhão para investimentos em infraestrutura no Estado.

"Fizemos isso para ter espaço interno e, gradativamente, melhorar os salários dos professores, brigadianos, policiais civis e do quadro geral dos servidores. Dessa forma, nós podemos retirar os investimentos do nosso orçamento e utilizar nossos recursos para melhorar estes salários. É por isso que nossas finanças estão melhorando e irão melhorar ainda mais", garantiu Tarso, lembrando que assumiu o Estado com a polícia militar com os menores salários do País. "Já não somos mais o último colocado e vamos continuar subindo nesta escala".

Ao enfatizar a força da base produtiva e o serviço público qualificado do Rio Grande do Sul, o chefe do Executivo comentou os incidentes envolvendo a polícia militar da Bahia. "Nós temos a melhor corporação militar do Brasil, que é a nossa Brigada Militar. O Rio Grande do Sul tem uma tradição de integridade e de respeito que enobreceu a história deste País. Então nós vamos continuar trabalhando para melhorar o salário deste servidor", assegurou.

Também estiveram presentes na cerimônia de abertura da Copa Abamf o secretário da Segurança Pública, Airton Michels, a secretária adjunta da Casa Civil, Mari Perusso, e o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Sérgio Abreu, que enalteceu o sucesso da operação executada pela BM na tarde de quinta-feira (9), resultando no salvamento de 35 reféns em um assalto a uma agência bancária em Porto Alegre. "Ontem, tivemos mais uma demonstração do elevado grau de qualificação e preparo técnico dos nossos policiais".

O secretário da Segurança Pública, Airton Michels, também elogiou a atuação dos policiais que atenderam à ocorrência de assalto com reféns no bairro Azenha. "Graças a esta atuação profissional, estamos vivendo hoje um dia normal e não um dia de tragédia", destacou. Já o presidente da Abamf, Leonel Lucas Lima, ressaltou a presença inédita de um governador no maior evento esportivo promovido pela Brigada Militar. Lima afirmou que o gesto demonstra o reconhecimento da categoria e o fortalecimento das relações. "Aqui ninguém pensa em greve ou desordem porque somos sempre bem recebidos e tratamos das nossas questões na mesa de negociação", afirmou o sargento.

Copa Abamf
A 11ª Copa Abamf reúne policiais militares de todo o Estado e seus familiares em três dias de esportes e confraternização. No total, são 59 equipes de futebol de areia, vôlei de praia, bocha e canastra. A expectativa dos organizadores é de que cinco mil pessoas circulem pela Colônia de Férias Farroupilha, em Cidreira, até o próximo domingo (12). 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Policiais militares da BA decidem em assembleia continuar greve



09/02/2012 - 11h11 | da Folha.com

Policiais militares da Bahia decidiram em assembleia realizada na manhã desta quinta-feira que continuarão em greve. A decisão foi tomada após os grevistas deixarem o prédio da Assembleia Legislativa que estava ocupado desde a semana passada.

A categoria fez uma assembleia no sindicato dos bancários, em Salvador, após a desocupação. No local, foi perguntado aos policiais se a greve continua ou acabou. Centenas deles responderam em uníssono: "Continua". Na sequência começaram a gritar: "A PM parou, a PM parou".

A reportagem da Folha acompanhou a assembleia a partir de um prédio vizinho, pois não foi autorizada a entrar no sindicato.

O ex-policial Marco Prisco foi preso na manhã de hoje após deixar a Assembleia, junto com outro líder grevista, Antônio Paulo Angelini. Havia mandado de prisão expedido contra eles. Outros dois PMs já tinham sido presos durante a greve. Ao todo, 12 mandados de prisão foram expedidos contra policiais grevistas.

Prisco foi flagrado por escutas telefônicas incentivando atos de vandalismo no Estado. As gravações foram divulgadas pelo "Jornal Nacional", da TV Globo. Em uma das escutas um interlocutor de Prisco identificado como David Salomão diz que vai "queimar viatura" e "duas carretas" na rodovia Rio-Bahia.
 
 Moacyr Lopes Junior/Folhapress 
Policiais Federais escoltam grevista que deixava o prédio da Assembleia Legislativa da Bahia
Policiais Federais escoltam grevista que deixava o prédio da Assembleia Legislativa da Bahia; veja galeria


Segundo um dos advogados dos grevistas, Rogério Andrade, a decisão de desocupar a Assembleia foi tomada porque os grevistas avaliaram que não teriam mais condições de manter a ocupação do prédio, que teve a luz e a água cortadas. Os militares do Exército que cercaram o local também bloquearam o acesso de mantimentos.

Outro grevista disse que a decisão foi tomada em assembleia durante a madrugada. O grupo estaria atendendo um pedido de Prisco, que entendeu que seria mais seguro eles se entregarem porque havia uma determinação de reintegração de posse e poderia haver confronto.

GREVE

A greve dos PMs da Bahia começou na semana passada. Eles reivindicam aumento salarial e a incorporação de gratificações aos salários.

Em entrevista à Folha, o governador Wagner disse que não pagaria nada acima do reajuste já concedido ao funcionalismo do Estado. Na terça (7), porém, o governo passou o dia negociando com líderes grevistas, mas a reunião foi suspensa sem acordo.

O impasse ficou por conta dos 12 mandados de prisão expedidos contra PMs grevistas. Prisco afirmou na ocasião que ninguém retornará ao trabalho sem que haja uma anistia geral.

Na segunda-feira, diversos focos de tumulto ocorreram no local, e os militares usaram balas de borracha e bombas de efeito moral para conter os ânimos.

 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Garota Verão 2012! Caxias do Sul.


Confira algumas fotografias de cada candidata!

Entidades realizam marcha contra o racismo em SP



8/2/2012 18:14, 

Entidades realizam marcha contra o racismo em SPEntidades convocam marcha para este sábado (11), às 14 horas, com saída marcada na praça do metrô Santa Cecília, no centro de São Paulo. Para organizadores da manifestação, racismo, higienização sócio-racial e criminalização da pobreza são algumas marcas da administração do Estado e da cidade de São Paulo. Ações recentes da Polícia Militar mostrariam ligação entre esses temas.
Fábio Nassif
Racismo, higienização sócio-racial e criminalização da pobreza. Essas são algumas marcas da administração do Estado e da cidade de São Paulo, na opinião de diversas entidades que realizarão uma marcha neste sábado (11), às 14 horas, que será iniciada na Praça do metrô Santa Cecília, no centro da capital.
Ações recentes da Polícia Militar mostram a ligação entre os dois temas. São majoritariamente negros os desalojados na Favela do Moinho e no Pinheirinho, os expulsos da Cracolândia e os executados pela polícia paulista por “resistência seguida de morte”.
No manifesto de convocatória do ato, são citados os casos de Ester Elisa da Silva Cesário, obrigada a alisar o cabelo para permanecer com seu emprego; Michel Silveira, preso injustamente por dois meses (apesar das provas evidentes de inocência), e Nicolas Barretos, agredido pela PM dentro da USP.
“O racismo brasileiro é isso: assassinato direto e indireto, maus tratos, falta de políticas públicas, desleixo, naturalização da desgraça, criminalização da pobreza”, afirma o texto. Douglas Belchior, da Uneafro (União de Núcleos de Educação Popular para Negras/os e Classe Trabalhadora), afirma que o racismo é o pano de fundo de várias ações do Estado.
“De um lado está o poder, a arma, a força repressiva e do outro lado está o povo pobre na sua esmagadora maioria composta por negros”, disse Belchior. Perguntado se ele enxerga um aumento de casos de racismo no último período, o professor de história se indigna com fatos que não param de acontecer, mas diz que “a diferença é que isso tem sido mais explorado, pois nosso povo tem gritado mais. As pessoas têm ficado menos calada diante da discriminação racial. Isso pra nós é positivo”.
O Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra, que organiza a marcha, pretende ainda realizar uma aula pública, apresentação de grupos culturais e outras atividades na quinta-feira (9), em frente ao Teatro Municipal, como forma de convocação para a marcha.
Nenhuma matéria relacionada.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Lições de janeiro: uma reflexão sobre o Fórum Social Mundial



O grande problema do Fórum é a possibilidade, primeiro: do isolamento dos movimentos sociais, em relação ao curso das lutas políticas reais, que se travam no interior da estrutura estatal; e segundo: o isolamento dos partidos concretos, realmente existentes, em relação aos movimentos sociais. A transição dos movimentos para o coração do Estado, através da política, é um desafio do nosso tempo e o Fórum Social Mundial deve uma contribuição para a solução deste enigma, sob pena de esgotar-se numa estética de protesto sem causa política dotada de universalidade. É impossível mudar o poder sem chegar ao poder. O artigo é de Tarso Genro.

O Fórum Social Mundial Temático, que transcorreu em Porto Alegre entre os dias 24 e 29 de janeiro deste ano, como sempre suscitou muitas controvérsias entre as distintas forças políticas e representações da sociedade civil, que participaram daquele evento. Ou que não participaram, mas observaram-no com maior ou menor dose de boa vontade.

Foi uma “feira ideológica”? Uma “internacional perfomática” dos fragmentos? Uma presença anárquica da “velha” ou “nova esquerda” meio pasmada, ainda, com as grandes mudanças globais tuteladas pelo capital financeiro em crise? Uma expressão inorgânica dos “novos” ou “velhos” movimentos sociais? Uma exibição de novas culturas políticas em formação? Creio que foi tudo isso e mais um pouco. E foi bom. Um grande festival de opiniões sobre os mais variados temas, com algumas receitas de praxe, certo nível de inventividade, muita confusão ideológica e críticas ferozes à “política estabelecida”. Nenhuma surpresa.

Seria possível outra coisa? Creio que não. Os receituários tradicionais da esquerda organizada ainda gravitam, em regra, entre o esquerdismo, que se abriga na radicalização superficial das categorias do serviço público e dos movimentos sociais, avessos, em regra, ao mundo “corrompido” da política parlamentar - como se a esfera da política estivesse fora da reprodução dos costumes e da cultura da própria sociedade civil -, de um lado, e a proposta de “doses”, maiores ou menores, de liberalismo econômico, de outro, sem a inventividade transformadora que caracterizou as distintas formações de esquerda em outras épocas. Nas lutas contra os regimes ditatoriais ou autoritários (europeus e latino-americanos), entre os anos 50 e 70 o debate teórico e doutrinário sobre democracia e revolução estava sempre presente, o que exigia mais inteligência e esforço do que simplesmente dizer que os governos são maus porque não atendem as demandas dos movimentos.

A revolução perdeu. Perdeu com o fim do socialismo real, com as mudanças tecnológicas que geram agregação de valor pelo conhecimento mais do que pelo trabalho produtivo mecânico; perdeu porque a subjugação do capital torna cada vez mais indistinto o tempo livre do tempo de trabalho, e perdeu com o império das burocracias autoritárias bloqueadoras das utopias. A ausência de democracia (a incapacidade de estruturar um Estado de Direito Democrático superior às experiências do iluminismo), a covardia dos partidos comunistas no poder perante o pluralismo, a superioridade do capitalismo estabelecido em desenvolver os aparatos produtivos e o armamentismo de conquista, tudo concorreu para aquela derrota. 

As lutas deste período, porém, não foram perdidas. Através delas obtivemos o restabelecimento da democracia política, a legalização de todas correntes de opinião política e ideológica, a retomada plena da ideia de construção da nação, fora da tutela imperial. Além disso, promovemos ao estatuto da Constituição os direitos sociais mais importantes e subtraímos o estado da tutela absoluta das Forças Armadas. Seu poder estava “fora do lugar” e a conquista da democracia mostrou que estas Forças não eram polícias internas do império.

É muito e é pouco. Porque agora estamos começando a perder, novamente. A democracia está ameaçada em escala global, as guerras de conquista da energia fóssil retomam seu fôlego e as instituições democráticas -modeladas há mais de 200 anos- dão claras demonstrações de esgotamento. A “efetividade” da democracia está sendo cada vez mais barrada sem ter se realizado, e ela se demonstra, com algumas exceções, cada vez mais impotente. O capitalismo suporta cada vez menos a democracia e a democracia é cada vez menos adaptável ao capitalismo. Para que as promessas das constituições democráticas sejam realizadas com certa plenitude o desejo libertário deve superar as leis de bronze, mas ele cabe cada vez menos no seu contorno.

É a “inefetividade” da democracia. Os direitos cada vez mais descolados da cotidianeidade. Penso que esta categoria jurídica e política, devidamente traduzida para as lutas políticas que tem relevância em todos os países, revela a possibilidade de produzir uma ação unitária das esquerdas parlamentares e não parlamentares. Das esquerdas dos movimentos sociais e da intelectualidade. Das esquerdas que governam e que estão na oposição. Uma ação unitária de todos os que prezam as conquistas contidas nos diversos Estados de Direito, como transição para um programa de maior fôlego, ou mesmo como “programa máximo” em sentido lato, para quem o desejar.

Traduzo esta “inefetividade” com a seguinte questão estratégica para as esquerdas: os direitos sociais mínimos, das constituições democráticas, perderão - cada vez mais - a sua efetividade, se o capital financeiro prosseguir na tutela absoluta sobre as decisões dos estados, como ocorre agora na União Européia. Esta tutela, dependendo da evolução da crise, pode aguçar-se em todas as partes do mundo. A redução a zero, dos pactos políticos que compuseram o poder constituinte e a substituição da força constitutiva da política, pela força política e normativa das burocracias dos bancos centrais, esgota a promessa democrática tradicional: as revoluções democráticas à feição das burguesias do Século 19 esgotam, crescentemente, seu potencial democrático e social. O empreendedorismo é substituído pela cultura do jogo financeiro virtual do enriquecimento sem trabalho.

Nenhuma das grandes demandas sociais, ecológicas, culturais-nacionais, étnico-nacionais, econômicas e financeiras dos “movimentos” e dos partidos de esquerda, poderão ser cumpridas, com certa abrangência e qualidade, se o império do capital financeiro insaciável, sobre os estados, não for derrogado pela política. A revolução nacional-democrática dos anos 60 deve ser substituída pela revolução internacional democrática, global, para libertar os estados do jugo do capital financeiro: eis um dos temas que o Fórum Social Mundial poderia tratar, sem exigir que as forças que o compõem percam a sua natureza e especificidade.

Unida a esta questão macrofinanceira global -que é produto de uma política mundial dos agentes do capital, dos seus partidos e das suas lideranças- está a questão das desigualdades sociais, que suportam o modelo. As desigualdades, como estão concretizadas depois da crise do “sub prime” e da crise européia, expulsam, agora, da sociedade formal, milhões de seres humanos. E esta expulsão se dá não só na periferia dos sistema, mas também no seu centro orgânico e, ainda, tornam os países pobres da África e da América ainda mais pobres miseráveis. 

Contraditoriamente, o modelo de desigualdade universal entre países e povos reflete nas empresas privadas e no Estado sem uniformizar a situação dos trabalhadores, como pensava Marx - o que era apenas uma tendência da época - mas formando, nestes dois mundos, público e privado, castas privilegiadas que, pela sua capacidade de poupar, ligam o seu destino ao rentismo e ao consumo suntuário. Estas castas, já não são mais os simples “colarinhos brancos”, mas formaram uma base social intermediária do capital, tanto no plano da política como no plano financeiro propriamente dito, com programa de vida próprio e estilo de vida separado dos pobres em geral e dos assalariados de renda baixa e média.

Os altos executivos dos bancos, das agências financeiras globais, públicas e privadas, os executivos e “managers”, em geral, dos grandes conglomerados privados, constituem uma base política e social ampla para dar sustentação às políticas de desregulação e de liquidação das políticas públicas de caráter distributivo. Talvez Gramsci os chamasse de “funcionários da superestrutura”, especialistas da concentração de renda, que produziram o “sub prime” e ganharam com ele e foram, ainda, salvos pela teta generosa do Estado, ou seja, pela própria poupança pública. 

A agenda da tutela do capital financeiro sobre os estados e a agenda das desigualdades sociais são visíveis. Compõem uma agenda democrática “pura”, em todos os sentidos, e não são difíceis de serem compreendidas pelas grandes massas e - inclusive aqui no Brasil - diretamente acessíveis às chamadas “novas classes médias”, os “lutadores”, como já lhes chamaram. São os que formam um importante contingente social, originário da inclusão social, produtiva e educacional, proporcionada pelos governos do Presidente Lula e consolidados pela Presidenta Dilma. Esta dupla agenda pode ser acordada pela ampla maioria de governos, instituições e partidos, participantes do Fórum Social Mundial, para compor uma luta internacional, inspirada pelo Fórum e em seu nome, mas multifacetada de acordo com as condições das regiões onde elas se travam.

O grande problema do Fórum é a possibilidade, primeiro: do isolamento dos movimentos sociais, em relação ao curso das lutas políticas reais, que se travam no interior da estrutura estatal, no âmbito dos poderes - Executivo, Legislativo e Judiciário -; e segundo: o isolamento dos partidos concretos, realmente existentes, em relação aos movimentos sociais. Eles estão nos sindicatos e nas instituições de representação da sociedade civil e também estão nos próprios movimentos, carentes de agenda política universal. Esta transição, dos movimentos para o coração do Estado, através da política, é o verdadeiro desafio revolucionário do nosso tempo e o Fórum Social Mundial deve uma contribuição para a solução deste enigma, sob pena dele esgotar-se numa estética de protesto sem causa política dotada de universalidade.

Como é que os rebeldes de “Chiapas”, bem como os indígenas da Bolívia organizados contra a estrada que cruza as suas terras e os índios brasileiros que lutam contra construção de Belo Monte - independentemente do mérito das suas demandas - se comunicam com a esfera da política, projetada no estado, para mais além dos protestos que se esvaziam e das análises acadêmicas libertárias? Trata-se, na realidade, da verdadeira “reinvenção” da política, no âmbito da crise da democracia, ora estimulada e aprofundada pela crise de dominação do capital financeiro global. Thomas Mann dizia que a Alemanha iria sair da miséria moral e material quando Karl Marx encontrasse Friedrich Holderin.

Qual o encontro que precisamos hoje? Em princípio um encontro de agendas entre os que tem fome e os que não tem trabalho, entre os que empobrecem e os que se recuperam pelo emprego, entre os que querem salvar o planeta e os que querem fazer a nação, entre a sociedade política (o estado) e a sociedade civil (onde estão os movimentos), para salvar o estado do domínio do capital financeiro e reinventar a democracia, tanto como elaboração intelectual e formal, como nas “práxis” governamentais pela esquerda. É impossível mudar o poder sem chegar ao poder.

(*) Governador do Rio Grande do Sul

Gabinete da Primeira-Dama e Secretaria de Justiça e Direitos Humanos abrem exposição "Momentos de Direitos" no Shoping Iguatemi



Vila Gaúcha, em Porto Alegre.
Vila Gaúcha, em Porto Alegre. - Foto: Sandra Genro
O Gabinete da Primeira-Dama do Estado e o Coletivo Fotográfico Nondogma, em parceria com a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, inauguram no dia 8 de fevereiro a exposição "Momentos de Direitos", aberta ao público no Shoping Iguatemi.

Localizada na Praça do Relógio, a exposição traz 38 fotografias que registram o trabalho de diversos espaços e instituições que tratam a temática do bem estar de crianças e adolescentes em diversas áreas, como APAE (Associação de Pais e Amigos de Excepcionais), FASE (Fundação de Atendimento Socioeducativo), ONG Canta Brasil, CESMAR (Centro Social Marista), CRAI (Centro de Referência Infanto-juvenil) e FADERS (Fundação de Articulação de Políticas Públicas para PPDs e PPAHs).

O objetivo do projeto é ampliar a percepção da sociedade sobre como a defesa dos direitos das crianças e adolescentes é tarefa cotidiana que exige empenho dos adultos, sejam eles governantes, educadores ou familiares. As fotografias registram momentos de direitos que refletem a aposta na garantia de uma infância de qualidade para a construção de um futuro melhor.

A Exposição encontra-se aberta para visitação de 8 à 20 de fevereiro, das 10h às 22h.

eminário debate presença das mulheres na segurança pública




O Governo do Estado realiza o Seminário Internacional Mulheres e a Segurança Pública entre 06 e 09 de março, em Porto Alegre. Analisar a crescente presença da mulher nos serviços de segurança pública e suas consequências, bem como a relação da população feminina, meio urbano e rural, com o setor, são os principais objetivos do evento. 

A organização já está percorrendo várias cidades para divulgar o evento. Nesta terça-feira (07), uma comitiva, coordenada pela major Simone Kilian Braga, vai reunir-se com as servidoras da Polícia Civil, Brigada Militar, Susepe e IGP, em Rio Grande e Pelotas. Em RG, o encontro ocorre às 11h, no Centro de Convivência de Menores, na Rua Paranaguá, nº 24, Centro. Em Pelotas, a reunião tem início às 15h, na Delegacia de Polícia Regional, na rua Barros Cassal, nº 516, bairro Areal.

Na quinta-feira, a partir das 14h, as delegadas Patrícia Tolotti Rodrigues e Patrícia Sanchotene estarão em Santa Maria, na Delegacia de Polícia Regional, na rua Alberto Pasqualini, nº 28, Centro. A divulgação junto às servidoras da SSP de Caxias do Sul está prevista para o próximo dia 13, às 14h, no auditório do 12º BPM, na Travessa Santa Maria, nº 900, bairro Kaiser.

Seminário Internacional Mulheres e a Segurança Pública
O evento pretende ouvir e conscientizar as participantes sobre as políticas públicas e iniciativas de sucesso em benefício das mulheres, por meio de explanações e debates participativos entre governo e sociedade civil organizada. Também visa proporcionar um amplo debate, discutindo o papel da mulher na sociedade atual, perspectivas, avanços e empoderamento, fomentando a importância da defesa da igualdade de gênero. Além de identificar experiências promissoras de combate à violência, o seminário se constituí em um importante instrumento de luta e organização de igualdade de direitos.